A Céu Aberto

Mais do mesmo…

A Classe inegável de um Porto de excelência, de bom trago, permite que os seus apreciadores se possam deliciar, semana após semana, com o gesto do sublime, permitindo que a prova se faça por naturalidade, em golfadas de puro prazer.

É assim a qualidade dos bons vinhos; tomam-se como a natureza os representa no mais rudimentar da sua essência. O que é bom, o que é excelente, tem a sua própria demarcação natural, cabendo apenas aos especialistas aprimorar a qualidade daquilo que na sua consistência já existe como potencial. A qualidade deste Porto é inegável, mas a forma como é trabalhado para se articularem em si os elementos da longevidade e da contemporaneidade, permitindo-se-lhe a expressão dessa continuidade dos eternos, dá a este Porto uma faceta, diria, perfumada.

Esse Perfume que perdura no tempo, que dá cheiro requintado àquilo que se extravasa em cor e em gosto, é o quadrante do sublime, pois potencia todos os nossos sentidos na apreciação desse momento inefável do trago da sublimidade. Este Porto habitua-nos ao melhor, daí que não tenhamos sempre consciência do quão previligiados somos pelo poder apreciar sem limites, desde a gestação das suas castas de origem.

Há 25 anos que este Porto entrou na nossa mesa do requinte, requinte esse trabalhado na pessoa desse grande viticultor de seu nome Jorge Nuno Pinto da Costa, trabalhador incansável, crente ( como só os crentes o são ) no labor do seu engenho, do seu projecto, da sua visão. Dessa visão de criação, muitos lhe tentaram tornear o feito quer na base da confrontação directa, quer na base da maledicência, quer na base acusatória. A todos lhes vi sucumbirem na falácia dos factos demonstrados, e nessa senda o seu projecto materializava-se, a sua visão tornava-se criativa. Este Porto, na base de um bom vinho, tendo todos os ingredientes para um produto de excelência internacional, estranhamente, via-se confinado a um papel de referência meramente regional, quase a fazer lembrar que Portugal não era só paisagem, tinha Lisboa, e algures no Douro, um bom vinho do Porto.

Mas como no sonho só manda quem o comanda, o projecto da afirmação desse Porto de sonho foi-se materializando em sonhos cada vez mais grandiosos, por sucessão de conquistas que enfatizavam novos sonhos ainda maiores. Nesse senda, o Porto referenciou-se em excelência no produto, no acabamento, na marca, na logística, nas pessoas…

A exigência cresceu na procura e apreciação desse produto, de qualidade muitas vezes escamoteada, em primor de outros produtos de grande consumo, mas de qualidade sobejamente duvidosa. A esses “críticos”, a esses malabaristas do marketing de baixa qualidade, a esses vendedores de banha da cobra, não se lhes chegava o reconhecimento além fronteiras deste Vinho de inegável qualidade, prova da excelência quando em comparação e confrontação com outras marcas de outros mercados, exponencialmente incomparáveis…

Mas a maior prova do nosso crescimento e reconhecimento estava na nossa própria exigência; nós os verdadeiros amantes desse vinho de perfume inebriante. De tão exigentes com o mesmo, já nada nos reconforta a não ser o sucessivo trago aprimorado do mesmo – “Mais e e melhor vinho para esta mesa, por favor!”

Quão sedentos e exigentes continuam estes “Dragões”!

Bravo Porto!!!

12 de Dezembro de 2007

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