A Céu Aberto

Paco!

Paco!

O virtuosismo de Paco de Lucia, expresso num Flamenco inigualável, fez-me recordar outros mundos, outras vivências vividas ou não vividas, outros cheiros, outros sons, outras vidas…

Senti-me Cigano, Bandoleiro, Rebelde, Judeu, Mourisco, uma qualquer espécie de nómada, refractário de uma sociedade intolerante com as suas minorias. Na recriacção do Flamenco sente-se esse mundo de gestação miscigénico, de cruzares Judeus, Mouros, Ciganos, Andaluzes. No ecoar dos seus sons vive-se esse sentimento pujante, de dor, de cor, de amor, de ardor, de um certo estertor numa expressão de total entrega à vida, “não vivida mas sofrida” como diria José Régio.

Ouvi Paco ao vivo depois de o ouvir muitas e muitas horas em gravações, na entrega a uma arte em que me revejo e pela qual sinto, mais que um certo gosto de ouvido, uma certeza de alma.

Obrigado Paco! Olé!

Las seis cuerdas

La guitarra,
hace llorar a los sueños.
El sollozo de las almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarántula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro
aljibe de madera.

Federico García Lorca

3 de Dezembro de 2007

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