A Céu Aberto

Erotismo em Pessoa

Desmultiplicado por trinta, num ensaio em rodopio

Existenciando-me em ti, por inspiração continuada

Num sentimento de Si, numa introspecção cuidada

Num poema que se sinta, como um leve arrepio

Pela imensidão sentida, na pele e na consciência

Em palavras que penetram, com’um vento de nortada

Em sons que se libertam, na rítmica desenfreada

Em exaltação da vida, nessa física abstinência…

 

Nesse desejo de viver, em total complexidade

Ou nesse acto d’existir, num rosto universal

Viveste no teu devir, sem um corpo sexual

Erotizando o saber, numa libidinosa verdade:

Inventando criações, somos homem e mulher

Somos um mar de ilusões, na criação carnal

Produtos de sensações, escravos do bacanal

Profusos camaleões, da nobre arte d’entreter

 

Por isso te existenciaste, em renovadas versões

Na arte te sublimaste, no teu mundo alternado

No Poeta te tornaste, num vórtice re-ordenado

Num erotismo de contraste, sem físicas sensações

Que não enrubescessem do verbo, incisivo e solene

Em contundência perene, num continuado orgasmo

Nesse arrepio da derme, nesse grito de extasiado

Que transforma o rei em servo, e nos devolve ao gene!

fernando_pessoa_heteronimos

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This entry was published on 5 de Janeiro de 2013 at 18:13. It’s filed under Poesia and tagged , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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