A Céu Aberto

Os Maias

“Falhámos a vida, menino!” – o resumo de uma obra
Ega no desencanto do final, no avançar da idade
Carlos da Maia, o seu destino, do herói que soçobra
Ao retrato factual, na inércia, da pueril sociedade
 
Dos projectos grandiosos, à tragédia encontrada
O modelo duma época, nesse “chic” societário
Um século de estudiosos, duma populaça iletrada
Uma vivência deserta, neste Portugal deficitário
 
Já então como agora, esta sociedade sem pulso
Entrecortada em género, apenas nalguns assomos
Duma vaidade em mora, deste destino convulso
A salvação no austero, como cadência de gnomos
 
Onde sobressai o saloio, por equiparação ao de fora
Por isso se copia em excesso, sem a noção do ridículo
Manifestação de apoio, ao francesismo d’outrora
Como ao actual “progresso”, do teutónico fascículo
 
E nesse mundo de fachada, onde a imagem é solene
Uma casa é  referência, dessa vivência em banquete
Um palacete de lombada, dum conteúdo perene
O livro na sua essência, na forma dum Ramalhete
 
Onde se cruzam caminhos, de paixões mortificantes 
Que num desencanto fatal, pela sordidez do destino
Irmãos se têm sozinhos, por se conhecerem amantes
E a vida corre o desterro normal – “Falhámos a vida, menino!”
Os Maias
 
 
 
 
 
 
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This entry was published on 15 de Março de 2013 at 12:33. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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