A Céu Aberto

Sonho duma noite de Verão?

E nessa noite, no cais
Estava eu, e os demais
Nessa soturna taverna 
Do Infante e sua serva
Quando passaste airosa
Exultante, majestosa
Dona do mundo, dos ais
E eu ainda naquele cais
Desfiz-me em encantos, sinais
Para te ver novo – sem mais!
Porque te vira dançar
Naquele palco de bar
Com’uma estrangeira
E nisto soltei aq’la asneira
Como se te conhecesse de gingeira
Numa conversa gasta e useira…
Mas tu acabaste, à minha beira!
 
Era duma alvura esguia
Uma Deusa que s’antevia
Ao longe, sobre a multidão
Uma nortada, um tufão
Que envolvia a cidade
No seu trajo de vaidade
No rodopio d’insanidade
Que me levava na idade…
 
Regressado à juventude
Numa quimera, amiúde
Numa volúpia de corpo
Sem tempo, sem mais escopo
Que não fosse o advento
Da vida, nesse momento
Numa loucura ensaiada
Tantas vezes, imaginada
Num sonho, num pesadelo
Num risonho atropelo
Dos ensaios, dos costumes
Dos códigos, c’os seus negrumes
Iluminados na penumbra
Por essa chama plúmbea 
A que eu acenei nesse cais
Uma noite, dos meus anais
Numa história esquecida
Hoje, a seu tempo (re)vivida
Numa prova poética
Só para gosto à métrica
Porque sei que certas memórias
Mesmo contadas como histórias
São sentidas nos demais
Não como noites no cais
Mas, desvios bacanais…
ao
 
 
 
 
 
 
 
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This entry was published on 10 de Abril de 2013 at 23:41. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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