A Céu Aberto

Fausto

Perante esse corpo imponente
Mendigo, com’um indigente
Suplico-te, um beijo, em arquejo 
Arrasto-me, d’arrojo ao desejo
 
Alcanço-te e sinto-me Vilão
Roubando-te o ensejo, c’oa mão
Penetra desse alheio, tão casto
Na posse do teu seio, sou Fausto!
 
Dividido entre o demónio e o céu
Arrisco, entrego tudo o que é meu
Por ti, nesse teu corpo celeste
Revivo, nessa obra dum Mestre
 
Perdido, nessa escolha capital
Mulher, sedução, nosso mal
Em ti, me completo, cativo
E no teu corpo, o meu castigo!
 
Pecando, por toda eternidade
Louco, nesse desejo de maldade
Amo-te, nessa caução de pecado
Tenho-me, nesse teu Ser, aprisionado!
 
Ladrão, que vendido m’entreguei
A alma, que ao Diabo, hipotequei
Por ti, nesse vislumbre do Amor
Sem ti, a negritude, o inferno, a dor…
E. Delacroix - litografía da  série para ilustrar a obra - Fausto, de Goethe

E. Delacroix – litografía da série para ilustrar a obra – Fausto, de Goethe

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