A Céu Aberto

Espelho

Avanças e paras no espelho
Vês esse corpo marcado
Olhas-te nesse rosto, já velho
Uma vida, um trilho sulcado
 
Marcas dum longo projecto
Nas tuas mãos magras e frágeis
Esboças um gesto, um reflexo
De mãos passadas, fortes e ágeis
 
Revives a vida num ápice
Consumida por um corpo
No teu espírito, o artífice 
Do tempo em que nasces, já morto
 
No espelho em que registas
A tua imagem, a aparência
Num momento, és o que miras
Noutro, o vazio da existência
 
Como se tudo fosse efémero 
Sem um traço contínuo, ligado
E na velhice, o nosso esmero 
Dessa vivência, sem passado
 
Tudo se reduzindo ao decrépito
Ao vago, desmemoriado, sem nexo
Um presente, sem maior mérito
Que viver, nesse corpo deserto
 
Pronto para novo reflexo vazio
Para gestos que se caducam
Nesse momento, por um fio
Em trajectos que se truncam 
 
E nesse corpo que se funde
Com o espelho, com a memória
Um novo escopo, se confunde
Com esse velho, em nova história…
velho
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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This entry was published on 22 de Abril de 2013 at 10:35. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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