A Céu Aberto

Cefaleia

No teu corpo, este meu vício
Num travo lento, fumado…
Um sufoco, um sacrifício
Quando longe, mitigado

E nesse desejo desperto
Num pensamento errante
O teu corpo é o trajecto
Aberto por mim, caminhante

E é neste repensar ansioso
Nesta dor física, aberta
Que sonho em ti, vicioso…
Me perco em parte incerta

Perdido, nessa loucura
No teu alcanço sensitivo
Nessa miragem, a cura
Da mágoa que trago comigo

Como uma fera ferida
Que desespera na dor
No instinto p’la vida
Ataca, morde em furor!

Nesse limite do desejo
Entre o vício e o prazer
O teu corpo, meu ensejo
Renascido, neste morrer

Que só morto me detenho
Nesta ânsia, nesse amor
Vivo, sem gosto tamanho
Que não seja neste ardor

Que lateja, enrubescido
Nesse órgão sofredor
Um coração desnutrido
Apenas bombeia amor

Um sentimento sem credo
Sem fé, Deus ou esperança
Esse corpo: o meu segredo
Em ti, a ténue lembrança

Pois só vago, me detenho
Nesse corpo qu’escasseia
A prova do meu arreganho
Não existe; é cefaleia…

cefaleia

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This entry was published on 28 de Abril de 2013 at 22:38. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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