A Céu Aberto

City

Um novo passeio na city
Sem smog ou chuvisco
Com saída em Picadilly
D’anúncios que só visto!
 
Covent Garden ao fundo
C’os seus músicos de rua
Sente-se o centro do mundo
Ouve-se Kathy Melua
 
No permeio da passagem
A Opera House, surpreende
Na imponente vassalagem
Aos teatros de West End…
 
Em Trafalgar estanco nas vias
Nessa praça, a lembrança…
Não é Nélson, mas sim Dias
Descobridor da Boa Esperança!
 
Logo os leões me ladeiam
Nelson, c’a sua guarda d’honra
Na galeria onde s’arreiam
Vivem as obras d’arromba!
 
Um novo embalo ao Tamisa
Descendo a Downing Street
Onde o Primeiro é que pisa
Em gabinetes de pirite
 
A praça do parlamento
Obra de monta, fenomenal
Comuns ou nobres, adentro
No seu relógio, um postal!
 
No Big-ben, as horas
Republicanas, monárquicas
Por Cromwell, as demoras
S’edificaram por trágicas!
 
Westminster também abadia
Símbolo terreno e celeste
Nesse poder, que um dia
No Anglicanismo cedeste 
 
Por decisão sábia e régia
Numa conveniência sagaz
Convertendo a velha igreja
Numa renovada de paz…
 
Alicerces de conquista
Desse novo mundo imperial
Qu’em Vitória se vista
Numa fachada triunfal
 
Largas avenidas florescem
Nesse caminho ao palácio
De Buckingham, onde se tecem
Razões de Estado, em posfácio!
 
Mas já me coloco ao caminho
De memoriais quantos baste
Guerras passadas, sozinho
Assim me planto, em meia haste
 
Wellington, os seus soldados
Nessas estátuas, em triunfo
Nós Portugueses, lembrados
De guerras terríveis em conjunto
 
Contra essas invasões imperiais
Francesas, em três ocasiões
Devastando terras imemoriais
Pr’a nos obrigar às sanções
 
Uma volta à city, moderna
O passado no encalço das pedras
Uma viagem longa, à perna
Obriga ao descanso, das perdas 
 
St. James Park, o idílio 
Desse passeio já longo
Serve de plano, ao solstício
Dum sol posto, no sono
 
Mas ainda há o regresso!
Há que acordar e volver
Por Hyde Park, ingresso
E só me apetece correr
 
Ao ver Aquiles exposto
Num corpo belo, perfeito
Músculos marcados no dorso
Espada e escudo, no pleito!
 
Mas já Byron s’abeira
Nesse seu gesto, poeta
Outro guerreiro, na esteira
Mas no lirismo, cometa!
 
Nessa envolvência de verde
Nesse símbolo da liberdade
Olho a montra, que vende
Um Aston Martin de verdade!
 
Um figurão, esta cidade
Honrando os mortos, vivendo a vida
Já me deixa um lastro de saudade
Quando baixo ao metro, em despedida…
aquiles
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This entry was published on 22 de Junho de 2013 at 15:57. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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