A Céu Aberto

Contraste

Só podia querer viver
A vida neste contraste
No Sol em que sinto ‘arder
Ao frio que me queim’a face

Uma Sinfonia de Rachmaninoff
Convulsiva, harmoniosa…
O desprendimento, a posse
Nessa dicotomia angulosa

A súplica, no amor à vida
Às estrelas do filamento
Tosca, razão mais sentida
Na morte, o maior lamento…

A vida e morte, paradigma
Neste universo dual
Ond’a nossa sorte só rima
De mote entr’o bem e o mal

Como um desejo gritante
Fatalista ou vencedor
Neste percurso aspirante
Ao maior prazer e à dor

No erro que se projecta
Na antecâmara do gáudio
Cruza-se a linha de meta
Nessa frieza de estádio

A noite quente de Verão
Que nessa brisa, fenece
Dando lugar à hibernação
Que no inverno, se tece

A relação duma vida
Trocada por um acaso
Uma sobra renascida
Dum outro amor, a prazo?

Os teus filhos sonhados
Nesse intuito de mudar
Onde não houve resultados
E também nisso, recomeçar!

Uma conversa ao relento
Sobre o sentido romântico
Da vida, que temos dentro
Sem o seu traço tirânico

Sim, somos ambivalentes
Amamos e odiamos
Somos fiéis e descrentes
E conspurcando, sonhamos

Queremos chegar ao brilho
Onde Cavaradossi notou
Que morrendo, este trilho
Só por contraste, ficou..

20130629-231507.jpg

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This entry was published on 29 de Junho de 2013 at 22:15 and is filed under Poesia, Retratos. Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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