A Céu Aberto

Coimbra (Património Nacional)

Do Choupal até à Lapa/Foi Coimbra os meus amores – António de Sousa (Poeta Portuense)
D. Dinis, em Lisboa a criou
No Século XIII, o Estudo Geral
D. João III, no Mondego a fixou
Gerando os génios de Portugal:
 
Sá de Miranda, o eterno Poeta
Leão Hebreu, o foragido Filósofo
Que Espinosa, influenciou pela certa…
Garcia da Horta, Médico e Botânico
 
Pedro Nunes, o Matemático
Marquês de Pombal, estudante de Direito!?
Carolina Michaelis, símbolo emblemático!
A primeira mulher a leccionar; outro feito!
 
Políticos de sobra, na sombra do liberalismo
Mouzinho da Silveira, grande legislador
Joaquim António de Aguiar /mata-frades, eufemismo…
Três vezes chefe do governo, reformador
 
O Século XIX, apogeu da Literatura
Almeida Garrett, romantismo em pureza 
João de Deus,  poeta da boémia e loucura
Obrigado p’los seus a findar a incerteza!
 
A questão Coimbrã, de “Bom Senso e Gosto”
Feliciano de Castilho, na crítica acesa
Antero de Quental , como rosto oposto
Ao romantismo, sem ideologia, aspereza…
 
Eça de Queirós, em Direito aos dezasseis! 
Guerra Junqueiro, o poeta da sua época
António Nobre, algum tempo em Leis
Cesário Verde, mera incursão d’esteta!
 
Camilo Pessanha, expoente do simbolismo
Eugénio de Castro, como seu percursor 
Augusto Hilário, no seu fado, o lirismo
Do estudante morto, sem chegar a Doutor!
 
E na ala Presidencial, a I República 
Teófilo Braga, saído do 5 de Outubro
António José de Almeida, de Medicina
Bernardino Machado, maçon d’estudo!
 
Sidónio Pais, Presidente-Rei em Pessoa
Manuel Teixeira Gomes, literato 
Largam  a necessária coroa
Ao Estado Novo, em novo acto
 
António de Oliveira Salazar
Também aí se formou bem cedo
Deixando no seu passo, estudar
O Diplomata sem medo!
(Aristides de Sousa Mendes)
 
Também gerou prémios Nobel
Essa Universidade ímpar
Em Egas Moniz, o móbil
Era o cérebro dissecar!
 
Domitila Carvalho, a aluna
Primeira, como condição
Nesse negro da Tuna
E chapéus com discrição
 
Na historiografia, Jaime Cortesão
A paixão dos Descobrimentos
Médico, apenas de formação
Numa vocação de momentos
 
Na literatura do século vinte
De Pascoaes, a sua natureza
Sá-Carneiro, decadente, pedinte
No desespero, a morte, a pureza…
 
O mau tempo no canal
Levou Nemésio
A professar esse “mal”
Com’o Poeta José Régio
 
E aquele sepultar-se
Como condição de vida e morte
Nessa cidade, estudar-se
É muito mais que simples sorte
 
Como um rochedo inabalável
De condição e outorga
Num pseudónimo, durável
S’edificou Miguel Torga
 
O existencialismo de Vergílio Ferreira
Em Fernando Namora, o poema, o conto
Na intervenção de Correia de Oliveira
Ou na canção coimbrã de Zeca Afonso!
 
Alguns lembrados, muitos mais esquecidos
Em parcas palavras de homenagem
Coimbra, cidade d’amores proibidos
Em grandes Homens, a sua linhagem!
 
Cidade de culto, de saber erudito
Na Universidade, o valor da regência
Eduardo Lourenço, filósofo sem mito
Helena Rocha Pereira, uma cátedra ciência!
 
E eu que cruzei, essa cidade num ano
Com’um curioso, num estudo fugaz
Pós-Graduado, nesse grau decano
Não a pude viver, com’um simples rapaz!
 
Ainda assim, o semblante, o carisma
Ficou-me na retina, da velha cidade
Sempre que a vejo, viajo por cima
Aos momentos breves, mas d’eterna idade
 
Pois nela encontrei, mais qu’a sapiência
Um novo viver, um novo pulsar
Mais culto fiquei, e sem ser de ciência
Pois nela beijei, amei, sem estudar!…
coimbra
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This entry was published on 4 de Julho de 2013 at 23:13. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

3 thoughts on “Coimbra (Património Nacional)

  1. revoltado1 on said:

    Gostei mais ainda por se referir a grandes homens, só faltou uma pessoa penso eu, o Dr. Bissaya Barreto que muito fez pela cidade de Coimbra quem não visitou já o Portugal dos Pequenitos, e a sua fundação que tantos homens e mulheres fez, falo por mim fui aluno num dos colégios da sua Fundação, mas dou-lhe os parabéns por fazer lembrar grandes nomes formados em Coimbra

    • Obrigado pela sua apreciação e comentário, caro Revoltado. De facto, são tantos os nomes ilustres, que algum teria que ficar de fora, injustamente, deste texto. Obrigado, pela justiça da sua lembrança ao Dr. Bissaya Barreto. Um abraço e volte sempre! Ernesto

      • revoltado1 on said:

        Não tem que agradecer, é que eu fui criado numa instituição do Drº Bissaya Barreto e vive na casa dele algum tempo ainda o conheci um abraço também

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