A Céu Aberto

Madiba

Em busca de Mpumalanga
Ao Kruger, de Joanesburgo
Ao encontro daquela savana
À qual chegáramos no escuro
Quilómetros a fio, nessa África
Numa aventura, em chicana
Que começara errática
Pr’a desembocar no Pestana
Ao hotel, por fim, lá chegámos
Depois de dias de viagem
De avião, por carro avançámos
Em estradas, sem qualquer rodagem
Eu conduzia p’la esquerda
Nesse processo, em silêncio
Quando me vi, sem certeza
No meio do Burgo, bem dentro
Joanesburgo, metropolitana
Que do passado guardava
Apenas a sobra urbana
Que esse parque mostrava
Roupas estendidas, de branco
Naquilo que fora de lazer
Eu, receoso pelo espanto
Qu’ao conduzir, podia ver
E não parava nos semáforos
Largava o espaço de longe
Ouvira d’antes, embaraços
Que nessa violência s’esconde
Mas continuamos a tacto
Avançando sempre a recto
Lá conseguimos, no asfalto
Fugir dos escombros, do beco
E entrámos na auto-estrada
Que nos levou a Pretória
Só parando na entrada
Para comer, sem moratória!
Um MacDonalds e feito
Continuando a zunir
P’la estrada fora, a direito
Que me faltava..dormir!
Saídos da auto-estrada
Caminhos ténues, cabrestos
Sem descobrir essa entrada
O bom do parque? Nós vesgos!
E páramos para perguntar
Sempre a receio, a medo
Nessas aldeias, ao luar
Nos encontramos, no credo!
E sem disputa, diferença
Com amabilidade, atenção
Fomos guiados à cerca
Que nesse parque é benção!
Para homens e animais
Duma terra fustigada
Na incompreensão dos demais
A política da terra queimada
Qu’um homem ousou combater
Sem armas, c’o seu espírito
E nesse apartheid, suster
A sua raiva de proscrito!
Por Madiba, acabou conhecido
Ele que de Nélson adoptara
O nome colonial, como título
Dessa sociedade tão clara!…
Mandela, homem de paz
Conteve no seu exemplo
Essa negritude, capaz
De reclamar o momento!
E a transição, pacificou
Esse país martirizado
Que num momento, parou…
À espera do cão, já puxado!
E na densidade da savana
Um odor nos inebria
E nessa noite, na cabana
Sonhei c’as cores, do dia
Pretas e brancas, pasteis
Amarelos, verdes e ocres
Uma infinidade de azuis
Que no céu eram retoques
Pois o amarelo abundava
Nesse sol palatino
Um astro que tudo rondava
No meu caminho, e destino…
Sabia-me no meio de África
Um continente negro de gente
Com uma paz, quase extática
Que no reencontro, se sente!
O meu berço, por certo
Noutra vida, pueril
Deixa o coração entreaberto
Por um momento, em ardil…
E se nesse momento me vi
De novo de volta ao leito
Nesse momento parti
Nesse seu rosto, perfeito
Desse Madiba, meu pai
Na sua viagem de vida
Uma aventura que “trai”
A sua imagem, mais querida!
Guardo no peito, o paradoxo
Num sentimento tão misto
Por um momento, só nosso
África Minha…Por isto!
Dr Diamatino
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This entry was published on 10 de Julho de 2013 at 21:38. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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