A Céu Aberto

Escravidão

Tenho esse travo heróico
Por gosto, e sentido histórico
Em visitar esses locais
De feitos, legados nacionais

Castelos e praças-forte
Aldeias, pedras de grã porte
Antas, menires ou mamoas
Por castros, citânias, pessoas…

No espírito desse ser ibérico
No palco do viver colérico
Em lutas de sobrevivência
Por palcos da independência

Que guardam essa energia
Que nas pedras, segue a estria
Como um veio rubro de sangue
Vermelho, tingindo a falange

Os gritos que ainda ecoam
Que nessas terras, destoam
Com a nossa maior indiferença
Por essas lutas, em pertença!

Nesse orgulho já perdido
Nesse saber desprendido
Onde o passado s’apaga
Neste presente qu’o traga

Tudo isso é irrelevante
A Nação, concomitante
Nesta educação instantânea
Qu’esta geração bem estranha

Por falta de valores reais
D’interesses maiores, ideais
Onde o nosso maior egoísmo
É antagónico doutro heroísmo

Onde a nossa vida não basta
E nessa morte, se satisfaça
Heróica, valente, imortal
P’lo estandarte, Portugal!

E nisso os antepassados
Foram além, abençoados
Com projectos mundiais
Por valores bem nacionais

E perdendo-se o respeito
Fácil é viver em despeito
E sem memória colectiva
Tudo navega à deriva

Sem um objectivo comum
Sem sentimento algum
Sem bandeira, sem hino
Sem família, sem destino!

O respeito pelos anciãos
Pelos pais, pelos irmãos!
Tudo valores mitigados
Nessa moda, antiquados!

E as origens s’esquecem
Nessas pedras, amolecem
Altaneiras, vigilantes!
Com’os homens, eram antes!

E vivemos a cultura
Num padrão que se mistura
Não pelas razões naturais
Para nos formatar, iguais!

Perdendo-se ideossincrancias
Vivendo-se pelas economias
Sem substracto humano
Qu’apenas lev’ao engano

Pois, as pedras olvidamos
As memórias sonegamos
Bem patentes nessas rochas
Desenhadas à luz das tochas

Quando não era de dia
Qu’em reverência sentia
Esse nosso antepassado
Por esse mural pintado

E o que reflectimos no acto?
Como descobrimos o facto?
Por interesse, por memória
A única via para a história

Porque sem esses anais
Escritos, ou em pedra, reais
Seriamos apenas consumidores
A quem escravizam, os Senhores!

20130713-230837.jpg

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This entry was published on 13 de Julho de 2013 at 22:08. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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