A Céu Aberto

Ishbilyia

Caminho no Al-Andalus
Terra quente, de planura
Onde na Páscoa, o capuz
É o fervor católico de rua
E entro em Sevilha, a frívola
Terra mourisca de semblante
Uma mulher que nos cativa
Nas suas penumbras de gente
Cidade cálida e solar
De bairros árabes e judeus
No Gualdalquivir, esse mar
De pratas e ouro, tão seus…

A Torre de ouro é testemunha
Dessa passagem do tempo
Porque em Triana, se cunha
A música que sai cá de dentro!

O Flamenco que ecoa
Pelas brumas do passado
Ciganos que, pela proa
Despejam o filamento, guardado

Mas Sevilha também é imperial
Na sua Praça de Espanha
Que nessa Habsburga catedral
Essa Inquisição também reina!

Por isso, fujam Judeus!
E mate-se esses mocárabes!
Sevilha não tem ateus
Os hereges jazem nos Alcázares!

Qu’a fé suba à Giralda
E s’anuncie em Los Remedios
Por Macarena se salva
Tod’os que rezarem seus credos!…

Mas Ishbiliya resta-se árabe
Ardente, misteriosa, insinuante
No rosto, dessa que sabe
Bem seduzir o viajante…
Sevilha
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This entry was published on 2 de Agosto de 2013 at 9:00. It’s filed under Poesia, Retratos and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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